Por: Adilson Santos – Editor do POÁ COM ACENTO

Hoje (29/01/2026), enquanto eu realizava meu trabalho de fiscalização comunitária às margens do córrego Tanquinho, na Vila Perracini — bairro onde não apenas trabalho, mas onde tenho minhas raízes —, fui interrompido pelo grito de um sujeito que passava de moto: “Zé Povinho!”.

O insulto, lançado à distância e em movimento, diz muito pouco sobre mim, mas revela um diagnóstico alarmante sobre quem o proferiu e sobre uma parcela minúscula da nossa sociedade.

Na psicologia e na psicanálise, o ato de rotular o outro de forma pejorativa é chamado de projeção. Quando alguém tenta diminuir um profissional da imprensa que está cobrando melhorias para a coletividade, essa pessoa está, na verdade, expondo sua própria pequenez. O termo “Zé Povinho” é a arma do covarde que despreza o povo, embora faça parte dele. É a voz de quem se sente incomodado com a ordem, com a verdade e com o progresso que o jornalismo sério busca trazer.

Recentemente ouvi de comerciantes locais: “Adilson, o político fulano não gosta de você”. Recebo essa informação não como uma crítica, mas como uma medalha de honra. Afinal, político que não gosta de jornalista é, por definição, um político que teme a transparência. Quem ocupa cargo público e se sente desconfortável com o repórter, geralmente é quem confunde o Departamento Público com o próprio quintal e o dinheiro público com herança. O político que rejeita a imprensa livre é aquele que prefere o silêncio da obediência ao barulho da democracia. Se a minha presença incomoda o serviçal do gabinete, é porque o meu trabalho está chegando onde as promessas de campanha não chegaram.

E a conclusão é lógica, embora dura:

Quem odeia o policial é o bandido.

Quem detesta o educador é o ignorante que prefere a treva mental.

Quem se rebela contra o médico ou sanitarista é o verme que prospera na sujeira.

E quem odeia o repórter comunitário? É aquele que se beneficia do caos, que não tem empatia pelo vizinho e que prefere ver o córrego transbordar a ver o problema resolvido.

Jornalismo é Serviço, Não é Concurso de Popularidade
Por vezes, alguns poucos: “Tem gente que não gosta do Adilson Santos”. Para esses, eu respondo com a serenidade de quem sabe sua missão: quem tem que me amar é minha noiva, minha família e meus amigos. Do resto da sociedade, eu não exijo amor; eu exijo respeito ao exercício da profissão.

O meu compromisso não é com o “curtir” das redes sociais, mas com a idosa da Perracini que conseguiu atendimento digno em um hospital através da nossa intervenção, da mulher que sai cedo e chega tarde, e a luz da rua está apagada, é com a dona de casa que vê e liga dizendo que a água da Escola Bortolozzo está sendo desperdiçada. Meu compromisso é com o morador que não aguenta mais o mau cheiro do esgoto na porta de casa. O meu trabalho no Canal do Leitor resolve demandas que o grito do “motoqueiro corajoso” nunca resolverá.

Agredir um profissional da imprensa é um crime contra a democracia e um atentado contra a própria comunidade. Quando você ataca o repórter que denuncia o buraco na sua rua, você está pedindo para continuar vivendo no atraso.

Fica aqui o meu repúdio à ignorância e, acima de tudo, a minha dó. Dó de quem tem a alma tão pequena que confunde cidadania com fofoca. O POÁ COM ACENTO continuará sendo o microfone de quem está rouco de tanto pedir socorro. Podem gritar, podem passar de moto, podem tentar nos diminuir: a luz da denúncia continuará incomodando quem prefere viver na escuridão.

AQUI VOCÊ TEM VOZ. E a nossa voz não será silenciada por ofensas de esquina.

Adilson Santos é diretor da Agência Ângulo Produções, editor do POÁ COM ACENTO, diretor da Rádio PCA e diretor de negócios e marketing do Jornal Argumento

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